A pejotização é a prática de contratar uma pessoa como pessoa jurídica (PJ), com CNPJ próprio, para prestar serviços que, na realidade, teriam as características de um emprego CLT. O nome vem de "PJ".

Aprofunde no tema: Como decidir entre PJ e CLT, o que diz o STF e como reduzir o risco de reconhecimento de vínculo — veja o guia completo em pejotizacao.org.

Contratar um prestador PJ é legítimo quando a relação é genuinamente autônoma: o profissional tem outros clientes, define como e quando trabalha e assume o risco do próprio negócio. Torna-se fraude quando estão presentes, ao mesmo tempo, os quatro requisitos do vínculo de emprego (art. 3º da CLT):

  • Pessoalidade — o serviço tem de ser prestado por aquela pessoa específica.
  • Habitualidade — o trabalho é contínuo, parte da rotina da empresa.
  • Onerosidade — há pagamento como contraprestação do trabalho.
  • Subordinação — a empresa dirige a prestação (horário, metas, ordens).

Presentes os quatro, a Justiça do Trabalho pode reconhecer o vínculo mesmo havendo contrato de PJ, porque no Direito do Trabalho vale o princípio da primazia da realidade.

Riscos para a empresa

  • Reconhecimento de vínculo e pagamento retroativo de férias + 1/3, 13º, FGTS e verbas rescisórias.
  • Recolhimento de INSS e FGTS de todo o período, com multa e juros.
  • Passivo trabalhista e previdenciário em ações individuais e coletivas.

Como reduzir o risco

  • Contrate PJ apenas para atividades realmente autônomas e pontuais.
  • Evite exigir exclusividade, horário fixo e subordinação direta.
  • Formalize o objeto do contrato e a autonomia do prestador.
  • Reavalie contratos antigos de PJ que hoje se parecem com emprego.

Perguntas frequentes

Pejotização é crime?

Não é crime em si, mas pode ser considerada fraude trabalhista e previdenciária, gerando reconhecimento de vínculo e cobrança retroativa de tributos e verbas.

O STF liberou a contratação PJ?

O STF admite formas lícitas de terceirização e de trabalho autônomo, mas a análise do caso concreto continua: havendo subordinação e pessoalidade, o vínculo pode ser reconhecido.

Quem escolhe ser PJ perde direitos?

Como PJ, não há férias, 13º, FGTS nem seguro-desemprego. Se a relação for de fato de emprego, esses direitos podem ser cobrados na Justiça do Trabalho.

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